Medicamentos para próstata aumentada funcionam para todos?
A hiperplasia prostática benigna (HPB), conhecida como próstata aumentada, é uma das doenças urológicas mais frequentes entre os homens após os 50 anos. À medida que a próstata cresce, ela comprime a uretra e dificulta a passagem da urina, provocando sintomas que podem comprometer significativamente a qualidade de vida.
Na maioria dos casos, o tratamento começa com medicamentos. Eles costumam aliviar os sintomas em muitos pacientes, principalmente quando o aumento da próstata ainda é discreto. No entanto, nem sempre o tratamento clínico é suficiente para controlar a evolução da doença.
Como os medicamentos atuam?
Os remédios utilizados para a HPB têm dois principais mecanismos de ação:
- relaxam a musculatura da próstata e do colo da bexiga, facilitando a saída da urina;
- reduzem parcialmente o volume da próstata ao longo de meses de tratamento.
Esses medicamentos podem proporcionar melhora importante dos sintomas urinários, mas não eliminam o tecido prostático responsável pela obstrução. Por esse motivo, alguns pacientes continuam apresentando piora progressiva mesmo utilizando a medicação corretamente.
Quando os medicamentos deixam de ser suficientes?
Com o passar do tempo, a próstata pode continuar aumentando, tornando a obstrução urinária mais intensa. Nessa situação, é comum que os sintomas reapareçam ou se agravem.
Entre os principais sinais de que o tratamento precisa ser reavaliado estão:
- jato urinário cada vez mais fraco;
- dificuldade para iniciar a micção;
- sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
- necessidade frequente de urinar, principalmente durante a noite;
- urgência urinária;
- retenção urinária;
- infecções urinárias recorrentes;
- presença de sangue na urina relacionada à próstata aumentada;
- formação de cálculos na bexiga ou alterações da função renal provocadas pela obstrução.
Nessas situações, insistir apenas nos medicamentos pode não oferecer o melhor resultado. Uma avaliação urológica completa permite identificar o tratamento mais adequado para cada paciente.
Entre as opções cirúrgicas atuais, o HoLEP (Enucleação Prostática com Laser de Holmium) é considerado uma das técnicas mais modernas e eficazes para o tratamento da hiperplasia prostática benigna.
Ao contrário dos medicamentos, que apenas controlam os sintomas, o HoLEP remove o tecido prostático que está causando a obstrução da uretra, restabelecendo o fluxo urinário.
A técnica apresenta diversas vantagens, especialmente para pacientes com próstatas volumosas:
- melhora significativa e duradoura do jato urinário;
- menor risco de sangramento devido ao uso do laser;
- preservação da cápsula prostática;
- menor tempo de internação;
- recuperação mais rápida;
- baixa taxa de necessidade de novas cirurgias no futuro.
Além disso, o HoLEP pode ser realizado em praticamente todos os tamanhos de próstata, sendo uma excelente alternativa inclusive para pacientes que utilizam anticoagulantes ou apresentam próstatas muito grandes.
Todo paciente com HPB precisa de cirurgia?
Não. Muitos homens apresentam excelente resposta ao tratamento medicamentoso e podem permanecer apenas em acompanhamento clínico durante anos.
Entretanto, quando os sintomas passam a limitar a rotina, surgem complicações ou os medicamentos deixam de oferecer controle adequado, procedimentos como o HoLEP passam a representar uma alternativa capaz de tratar a causa da obstrução, proporcionando melhora consistente da qualidade de vida.
Por isso, a decisão entre continuar com medicamentos ou indicar um tratamento cirúrgico deve ser individualizada, baseada na intensidade dos sintomas, no tamanho da próstata, nos exames realizados e nas expectativas de cada paciente.
O diagnóstico precoce e a avaliação por um urologista são fundamentais para definir o momento ideal da intervenção e evitar complicações relacionadas à hiperplasia prostática benigna.
Dr. Marco Túlio Cruvinel Urologista
CRM-GO 8910 / RQE 5352
- Urologista em Goiânia;
- Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU);
- Membro Internacional da Associação Americana de Urologia (AUA);
- Pós-Graduação em Cirurgia Robótica em Urologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein.