Câncer de próstata: por que cada vez mais pacientes optam pela cirurgia robótica?
O câncer de próstata é um dos tumores mais frequentes entre os homens. Quando diagnosticado em estágios localizados, a cirurgia costuma representar uma das principais opções de tratamento com intenção curativa. Em alguns casos, conforme as características da doença, o tratamento pode ser complementado por radioterapia, hormonioterapia ou outras abordagens definidas pelo urologista.
Nas últimas décadas, a cirurgia robótica passou a ocupar um papel de destaque no tratamento do câncer de próstata. O avanço tecnológico permitiu procedimentos mais precisos e menos invasivos, contribuindo para uma recuperação mais rápida e para melhores resultados funcionais em muitos pacientes.
A cirurgia robótica é uma técnica minimamente invasiva realizada por pequenas incisões no abdômen. Por meio dessas aberturas são introduzidos os braços robóticos e uma câmera de alta definição que transmite imagens tridimensionais ampliadas do campo cirúrgico.
O cirurgião permanece durante todo o procedimento em um console, controlando cada movimento dos instrumentos com extrema precisão. O robô não atua de forma autônoma nem toma decisões. Todos os movimentos são executados exclusivamente sob o comando do cirurgião.
Essa tecnologia oferece movimentos com maior amplitude, estabilidade e precisão, facilitando o acesso a regiões anatômicas delicadas, como aquelas ao redor da próstata.
Como a tecnologia beneficia o procedimento?
Durante a prostatectomia radical, a próstata é removida em uma região onde passam estruturas responsáveis pela continência urinária e pela função erétil.
A cirurgia robótica proporciona algumas vantagens técnicas importantes:
- visualização tridimensional ampliada em alta definição;
- movimentos precisos com articulações que reproduzem e ampliam a mobilidade da mão humana;
- maior facilidade para dissecar tecidos delicados;
- redução dos tremores naturais das mãos;
- melhor controle do sangramento durante a cirurgia.
Esses recursos auxiliam o cirurgião na realização de uma dissecção mais cuidadosa, preservando, sempre que possível, estruturas importantes para a qualidade de vida do paciente.
Principais benefícios para o paciente
Por ser uma técnica minimamente invasiva, a cirurgia robótica costuma proporcionar uma recuperação mais confortável quando comparada à cirurgia aberta tradicional.
Entre os benefícios frequentemente observados estão:
- menor sangramento durante o procedimento;
- menor necessidade de transfusão sanguínea;
- menos dor no pós-operatório;
- internação hospitalar mais curta;
- recuperação mais rápida;
- retorno mais precoce às atividades habituais;
- pequenas cicatrizes na parede abdominal.
Vale destacar que esses resultados também dependem das condições clínicas do paciente, da experiência da equipe cirúrgica e das características do tumor.
Uma das maiores preocupações dos homens que precisam tratar o câncer de próstata é a possibilidade de desenvolver incontinência urinária ou disfunção erétil após a cirurgia.
Essas complicações podem ocorrer independentemente da técnica utilizada, porém a cirurgia robótica oferece condições que favorecem uma preservação mais precisa das estruturas responsáveis pelo controle urinário e pela função sexual.
A excelente visualização dos tecidos e a precisão dos movimentos permitem ao cirurgião identificar melhor os nervos responsáveis pela ereção e a musculatura do esfíncter urinário, aumentando as chances de preservação dessas estruturas sempre que possível.
A recuperação do controle urinário costuma ocorrer progressivamente ao longo dos primeiros meses após a cirurgia. Já a recuperação da função erétil pode variar bastante conforme diversos fatores.
Cada caso, entretanto, deve ser avaliado de forma individualizada. A decisão sobre o tratamento mais adequado depende das características do câncer, das condições clínicas do paciente e da análise cuidadosa realizada pelo urologista.
Dr. Marco Túlio Cruvinel Urologista
CRM-GO 8910 / RQE 5352
- Urologista em Goiânia;
- Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU);
- Membro Internacional da Associação Americana de Urologia (AUA);
- Pós-Graduação em Cirurgia Robótica em Urologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein.